Sep 12

O grupo Beirut está no Brasil com seu som “fusion”, que mistura cores do oriente médio com trompetes mexicanos, música dos campos da Hungria, acordeão invocando “chanson francaise”, que lendo assim parece estranho, mas indubitavelmente caiu no gosto de um público que lotou a Via Funchal em São Paulo!

“Ei, mas esse blog não era de música clássica???”. Sim, vou chegar lá agora…

Eu costumo dizer que no período entre o século XVI e meados do século XX os músicos ocidentais exploraram e esgotaram todas as possibilidades melódicas e harmônicas.
Em um pouco mais de 300 anos a música “explodiu”! Se libertou das amarras da Igreja, desenvolveu timbres inéditos, agrupou instrumentos formando orquestras de diversos portes e estilos, organizou estruturas musicais específicas para complementar encenações teatrais e criou “pop stars” como Franz Liszt e Nicoló Paganini, os primeiros ídolos!

Todo esse desenvolvimento foi liderado por pouquíssimos países da Europa ocidental: Alemanha (na pole position), Itália e França foram os principais, que lideraram a cena até o final do século XIX, quando houve uma espécie de “rebelião” - surgiu o Nacionalismo, no qual compositores de diversos países se propuseram a mostrar a música de suas terras. Rússia, Finlândia, Hungria, Espanha e mesmo o Brasil se apresentaram neste contexto.

Pois bem… no início do século passado surgiu também o Modernismo, trazendo uma nova estética, só que a partir da segunda metade do século XX parece que a música clássica “morreu”. Não havia muito mais o que inventar, tirando talvez experimentos com novos sons e instrumentos, o que realmente foi feito com música eletrônica, música atonal e outros movimentos isolados.
Hoje mal se fala de música clássica com compositores vivos! Há alguns compositores excepcionais, mas sinceramente não apresentam nada de novo… parecem românticos tardios, dos anos 1940…

Há quem diga que a “saída” da música clássica está nos ritmos de culturas localizadas, especialmente as africanas, e a música oriental, que usa uma versão diferente dos princípios das sete notas com doze semitons, que o Arquimedes iniciou lá na Grécia antiga…

Eu não tenho visto muitas iniciativas de resgate na música clássica, mas sim na música “pop”! Grupos como o Beirut e o Ruby Suns estão nos lembrando os tais sons mais folclóricos, produzindo música inédita.

Dá a impressão de ser um novo nacionalismo, no sentido de resgate de música nacional, mas sem esquecer que hoje o mundo é pequeno! Músicas locais convivendo harmoniosamente, no que eu chamaria de “Globalismo”.

Agora, precisamos de compositores talentosos assim para elevar este conceito a um patamar mais erudito, para ser considerado movimento artístico musical…

Vamos combinar assim: à medida em que eu conhecer mais iniciativas de “música globalista” vou indicando em outros posts, ok?

Desta vez não incluirei uma foto de minha autoria, mas um video publicado no YouTube, mostrando o performer alemão Klaus Nomi interpretando a ária “What Power Art Thou”, mais conhecida como “The Cold Song”, por causa do personagem da ópera barroca King Arthur, de Henry Purcell, cantando tremendo de frio, repetindo sílabas dos versos do libreto: “Me deixe morrer congelado…”. E a orquestra também parece estar com frio! Escrita no século XVII, estreou por volta de 1690 (não se sabe ao certo quando).

Não deixe de conferir!

Saúde e paz.

preload preload preload